LAURICI
Já vi tantos queridos serem enterrados.
Já sofri a dor de perder seres tão amados!
...
O branco caixão não era mais branco que a tez daquela
menina.
Por que um anjo tem que partir assim?
Na flor dos anos...
Na adolescência.
...
Eu me perguntava naquele dia: Para onde vão estes lindos
olhos, estas pedras preciosas?
As sobrancelhas tão bem feitas, os longos cílios.
Sentia uma tristeza. Pensava: estes olhos nunca mais vão
se abrir.
Esta bela menina, para mim, nunca mais vai sorrir...
Sua doce voz eu nunca mais poderia ouvir.
Ela precisou partir.
...
Olhava-a no caixão e ficava pensando nos cabelos
dourados que foram raspados.
Eu os via aos ventos jogados...
Eu via na recordação, ali diante do caixão.
...
Ela partira e deixara no corpo físico uma tão serena,
tão angelical!
Laurici, naquele tempo eu não entendia a morte.
Não entendia que era apenas uma passagem.
Não entendia a viagem...
sonia delsin


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