segunda-feira, 7 de outubro de 2013



BRAVO
(Orlando Lencione)
“Há anos escrevi este texto – Sr. Orlando já é falecido”

Do homem antigo sobrou tão pouco. A voz doce, os olhos meigos.
Ele escreveu e colocou no papel toda sua arte e sua vida.
Não foi um homem simples, não conseguiria ser um simples homem. Era grande demais.
Como conviver com o convencional alguém assim tão especial?
Mas ele conseguiu ser o mais humilde.
No paletó surrado e no olhar alguma coisa dizia que ali se escondia um homem que fez de sua grandeza a singeleza da humildade.
Ele não se gabava jamais de seus grandes feitos. Contava com toda simplicidade das suas vitórias como se o herói nem fosse ele. Mostrava as medalhas e troféus como se na vida o costumeiro fosse pessoas receberem congratulações e serem homenageadas todos os dias.
Agia com a naturalidade dos realmente superiores.
Eu o conheci há muitos anos e convivi com ele numa relação de amizade e amor à arte, à poesia.
Nunca falamos tudo que tínhamos a dizer um ao outro. Mas ele sempre pareceu saber tudo. Nunca foi preciso explicar nada.
Então o tempo foi nos arrastando nesta convivência de parentesco e ao mesmo tempo de amizade e complacência.
O velho homem está acabado e não está. Ainda vibra uma alma grande num corpo que ficou pequeno demais.
Deus! É doloroso vê-lo assim sem as duas pernas!
Seu caminhar sempre foi o de um homem justo.
Então por que a amputação?
Por que é preciso experimentar tamanha dor um homem que na vida só desejou ser poeta e homem bom?
Deus tem resposta para todos os nossos porquês. Nós é que não entendemos nada.
Mas é tão doloroso vê-lo assim, isto é.

Este bravo vivia a dizer que um bravo sempre cai de pé.

sonia delsin 

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